Nesta semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que ajuste fiscal não tem nada a ver com juros. E nada a ver com a aprecição do real. Hum, muito estranho vindo de alguém que estudou economia. A primeira aula é com uma curva de demanda e oferta. A segunda com o modelo IS-LM, a terceira com o modelo AD-AS. Na quarta com o modelo que liga juros e câmbio. Não conhece essas letras, modelos etc? O ministro deve conhecer. São as teorias macroeconômicas mais consensuais, derivadas da obra de Keynes, que meio que inventou a macroeconomia moderna.
Por partes. O modelo IS-LM tem duas curvas em um gráfico ditado pelos juros e pela produção. Elas relacionam o rendimento total da economia com a disponibilidade de dinheiro na praça. Quando há mais dinheiro, o juro de equilíbrio cai e a produção é maior. Quando há rendimento maior, a produção cresce, mas os juros também. O BC tenta controlar juros com a curva de dinheiro e liquidez. Ele não influencia quanto as pessoas gastam, o gasto do governo e a balança comercial, as variáveis que formam a curva do rendimento na economia. Assim, quando o governo aumenta gastos, ele está forçando essa curva no sentido do aumento dos juros e da produção.
Na prática, o governo joga pela alta dos juros quando tenta inflar a produção quando o BC acha que é hora de a produção esfriar um pouco. Isso porque o BC vai retirar liquidez do mercado subindo os juros. O governo vai aumentar o gasto (que aparece na curva de rendimento) elevando os juros também. Temos, portanto, juros mais altos do que o necessário.
Isso posto, há uma relação entre câmbio e juros. A taxa real sempre se valoriza quando sobe o diferencial entre juros internos e externos. Está nos livros básicos de macroeconomia para quem quiser conferir.
O Brasil precisa de um pouco mais de teoria. Para quem quiser, recomendo o livro de macroeconomia de Olivier Blanchard, hoje economista-chefe do FMI.
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